Maio de 2007. Estava almoçando, no intervalo de um treinamento que ministrava para um grupo de uma empresa associada ao nosso escritório de consultoria, quando recebi uma ligação de um amigo, com o qual trabalhara em Salvador até cinco anos antes. Tratava-se de uma proposta de trabalho, novamente para fora do estado de Pernambuco, dessa vez para Brasília.
Diante da instabilidade financeira vivida no momento, não hesitei em aceitar, mesmo sem saber todos os detalhes da nova relação de trabalho. Apenas que a remuneração era boa e que a empresa pagaria a passagem de ida e um mês de hospedagem num hotel.
Por outro lado, aceitar a proposta representaria também sacrificar o convívio com a família, uma vez que esposa e filho não poderiam sair de imediato. Representaria, também, deixar de acompanhar de perto a trajetória do Clube Náutico Capibaribe no Campeonato Brasileiro da Série A, competição da qual o clube de coração esteve afastado por longos 12 anos. Deixei a razão comandar o processo, uma vez que a carreira profissional e a sustentação da família estavam em jogo naquele momento. Mas a intuição não ficou de fora por completo, e ela dizia que algo de bom estava à minha espera.
Uma semana depois, já estava partindo com destino à Capital Federal. Lembrei, então, que cerca de um ano antes tinha lido na Internet sobre um grupo de alvirrubros residentes no Distrito Federal, que se deslocaria para Anápolis/GO, para acompanhar um jogo do Timbu contra a Anapolina, então pela Série B. Através de contatos com amigos, cheguei ao nome de Thiago Magalhães, que foi o meu primeiro contato com a Confraria Timbu Coroado/DF.
Por se tratar de um legítimo alvirrubro, não seria de se esperar algo diferente: uma recepção de categoria seis estrelas. Thiago se dispôs a me buscar no hotel, para acompanharmos pela TV, em um bar da cidade, o terceiro jogo do alvirrubro pelo Brasileirão. Naquela oportunidade, apenas empatamos por 2×2 com o Vasco, no Estádio dos Aflitos. Mas o resultado daquele jogo foi o que menos importou. O melhor de tudo foi encontrar e passar a se integrar a um grupo de alvirrubros que não conhecem fronteiras para acompanhar os jogos do único hexa-campeão pernambucano.
Desde então, não deixo de acompanhar um jogo sequer do Náutico no campeonato em nossa “sede etílica”, o que inclui os piores momentos de nosso time na competição, quando éramos considerados virtuais rebaixados à Série B, junto com o América/RN. Mas inclui, sobretudo, momentos de intensa alegria vividos nas marcantes vitórias do alvirrubro. Jamais poderia imaginar que iria vivenciar uma das experiências mais inesquecíveis com o Náutico em pleno Serra Dourada, em Goiânia, no último dia 15 de Setembro, quando vencemos o Goiás de forma estupenda por 3×0, em uma partida que ficou marcada como o início de nossa brilhante recuperação no campeonato. Além disso, ficou marcada também como aquela em que pouco mais de 200 alvirrubros fizeram ecoar sua voz e sua alegria na capital goiana. Era a obstinação de vários integrantes da confraria que tornava aquilo uma realidade. Até hoje, o nosso técnico Roberto Fernandes enaltece e reconhece a importância de nosso incentivo naquele dia.
O processo de integração em Brasília não se resumiu a acompanhar as partidas do Náutico: saídas para descontraídos bate-papos, churrascos de confraternização, dentre outros, sempre acompanhado dos “confrades timbus”, fizeram com que a distância e a saudade fossem bastante amenizadas.
Depois de quase seis meses, posso afirmar com convicção: ter encontrado a Confraria Timbu Coroado/DF foi a melhor coisa que me aconteceu em Brasília.